Mercado de Franquias na crise brasileira

Apesar de as novas projeções do PIB, que encolheu -1,5%, determinarem que a crise será mais longa do que  se imaginava, com previsões de recessão abaixo de -0,6 do PIB em 2016, o mercado de franquias no primeiro semestre de 2015 acumulou um crescimento de 11,2% em comparação ao mesmo período do ano passado. O faturamento desse segmento foi de R$ 62 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF).

Diante desse cenário,você deve estar se perguntando por que o mercado de franquias está “nadando contra a maré”.

 

5 Motivos de crescimento

Listamos os 5 motivos por que o mercado de franquia cresce na crise, acreditamos que os principais motivos são:

  1. Marcas internacionais

Com a alta do dólar, o Brasil atraiu ainda mais o interesse de marcas internacionais. Apesar de toda a dificuldade e incerteza econômica, o país ainda é a 7ª maior economia do mundo. Como diz o ditado, “enquanto uns choram, outros vendem lenços”. Muitas empresas entendem que esse é o momento de investir para estar melhor estruturadas e posicionadas quando a crise acabar.

Nos últimos três anos, observamos a tendência de muitas marcas internacionais entrando no país, como a Donkin’ Donuts. A marca tentou se consolidar no Brasil em 2005, mas o mix de produtos pensado apenas para o gosto americano, não caiu nas graças do brasileiro. Em 2015, a Donkin’ Donuts voltou com novos lanches e bebidas, visando a uma maior aceitação.

A entrada de grandes marcas com modelos de negócios e produtos testados em outros países atraiu novos investidores. Eles querem a segurança de investir em marcas consolidadas e que tenham estrutura para dar o suporte necessários aos franqueados.

 

  1. Segurança

Uma franqueadora que tenha know how de longo prazo do mercado, atenda a demanda de suporte da rede e invista em inovações e tendências não só facilita a vida do novo franqueado como possibilita maior segurança.

Se compararmos a taxa de mortalidade das pequenas e médias empresas brasileiras nos primeiros dois anos de vida (24%) com a taxa de mortalidade de franquias no mesmo período (3,7%), entendemos por que esse mercado é extremamente atrativo.

 

  1. Taxa de desemprego

A taxa de emprego atingiu o chamado “pleno emprego” dois anos atrás, ficando abaixo de 5%. Agora estamos em um cenário totalmente diferente, a taxa é de 8,1%, com tendência de aumentar.

As empresas, vendo seu faturamento diminuir e as contas aumentarem drasticamente, tem de se reestruturar. O primeiro passo para isso é cortar os funcionários que mais a oneram.

Muitos desses demitidos são funcionários de longa data. Ao receber valores consideráveis de rescisão, e diante de um difícil cenário para procurar emprego e se recolocar, veem o mercado de franquias como uma chance de conquistar independência financeira.

 

  1. Investimento baixo com suporte

Em 2014, a quantidade de microfranquias teve um salto de 12,8% em comparação a 2013. E a tendência é que 2015 haja um crescimento ainda maior.

Os candidatos à franquia que citamos acima buscam franquias com investimento acessível. Esse é um dos motivos que fazem o mercado de microfranquias estar visado. Em contrapartida, os investidores estão mais criteriosos em suas analises, não focando somente no investimento inicial, mas  também no suporte fornecido.

A franqueadora tem o know how, e o franqueado busca esse conhecimento para ter mais segurança. Ter suporte para a escolha do ponto de venda, treinamento inicial e suporte presencial do consultor de campo periodicamente tornou-se uma segurança que o franqueado exige. Sabendo dessa tendência, muitas marcas melhoraram sua estrutura interna para satisfazer o franqueado e não perder a atratividade, aproveitando o mercado em crescente expansão.

 

  1. Experiência de compra diferenciada

O consumidor brasileiro e no resto mundo está ficando cada vez mais exigente e conscientes. Levam em conta a qualidade do produto, a forma de apresentação e o relacionamento da marca com seus clientes. No Brasil, onde cada vez mais a renda disponível diminui, o cliente fica ainda mais criterioso na hora de gastar seu suado dinheiro.

Um dos principais critérios de fidelização dos clientes em que as marcas estão investindo é o atendimento. A experiência de compra do cliente é o que vai diferenciá-lo dos concorrentes. E-commerce com estoque sincronizado com o ponto de venda, aplicativos da marca, redes sociais, propagandas e marketing de conteúdo são algumas das ações focadas em agregar valor para o cliente.

Dois anos atrás, Johnny Rockets abriu a primeira de oito unidade no Brasil. A rede tem mais de 300 restaurantes e o objetivo de proporcionar a clássica experiência americana: foco em hambúrgueres e um ambiente vintage. Os atendentes usam uniformes que lembram os garçons do passado e prezam pelo atendimento. Quando entra, o cliente recebe um sonoro “olá”; ao sair, um sonoro “tchau”. Além disso, em determinados períodos, aumentam o som da música e, enquanto o cliente consome, dançam para fazer a alegria das crianças e adultos do local.

Exemplos como esse são vistos em redes de franquias que realizaram – e realizam – diversos testes até chegar ao modelo de negócio mais próximo do ideal. Atraem investidores interessados nos valores que a marca tem e, mais que isso, na experiência que agrega aos clientes.

 

Conclusão

Não podemos dizer que as franquias não sentiram o impacto da crise, mas podemos afirmar, com toda a certeza, que a forma como lidam com as incertezas e dificuldades é normalmente mais estruturada que a dos negócios independentes, com uma ou poucas unidades. Além de know how, elas não brigam com a crise sozinhas, mas como uma rede.

 

Alex Vigatto
Alex Vigatto
Economista e especialista na área de planejamento de negócios, já atuou como consultor em mais de 50 projetos de franquias e pesquisa de mercado.

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