Pós-verdade: como ela se aplica ao franchising

A Oxford Dictionaries surpreendeu a todos ao eleger “pós-verdade” como a palavra do ano. Aplicada essencialmente ao cenário político, o termo se refere à proliferação de boatos que ganham notoriedade ao se passarem por reais, fazendo com que fatos objetivos percam importância em prol de crenças pessoais. Mas, será possível estender esse conceito a outros setores, como o franchising, por exemplo?
Considerando que o objetivo dessas inverdades é legitimar opiniões, cenários e circunstâncias, sua atuação pode ir muito além da politicagem. Afinal, existem boatos para tudo. Observe com atenção seu feed de notícias do Facebook e perceberá como não faltam “notícias” duvidosas passando por ela.
Sendo assim, o franchising não seria uma exceção. Por isso mesmo, separei quais são as principais falsas verdades do setor, para você não cair nelas. Confira:

Segurança garantida

É muito comum ouvirmos falar sobre o quanto o mercado de franquias é seguro. Sem dúvida, não é uma mentira. Principalmente, por serem baseadas em modelos que já deram certo, suas chances de sucesso são maiores mesmo. Mas, investir em uma franquia é uma operação de risco como qualquer outra.
É comum observamos franqueados que depositam uma grande expectativa na força da marca ou no suporte oferecido pela rede, mas isso nem sempre é suficiente. Se ele não possuir o mínimo de conhecimento sobre como operar um negócio, muito provavelmente, irá passar por dificuldades para manter sua unidade.
Além disso, o que realmente definirá o sucesso ou a falência da franquia será a gestão do franqueado. Por isso, é imprescindível avaliar bem seu perfil antes de fazer esse investimento. Alguns comportamentos, como liderança, relacionamento interpessoal e foco, separam os gestores bons dos ruins. Sem eles, o sucesso da franquia pode ser muito comprometido.

Qualquer pessoa pode investir no franchising

Esse é um grande mito do setor. É impossível uma franquia crescer sem uma rede de franqueados qualificada, dedicada e empreendedora.
A ideia de que todo o apoio da franqueadora será suficiente para a franquia dar certo precisa mais uma vez ser deixada de lado. Muito além do treinamento, bons franqueados são formados por talento, aptidão e identificação pela marca e setor que atua. Além disso, ele precisa ter a consciência de que, para atingir os resultados que procura, deverá trabalhar e se dedicar muito para a franquia.
Se nem todo mundo nasceu para ser franqueador, para ser franqueado muito menos. Então, entenda: o franchising não é pra todo mundo, não caia nessa.

Ser franqueado não é ser empreendedor

Provavelmente, você já ouviu alguém dizer que comprar uma franquia é o mesmo que comprar um emprego, só que um pouquinho melhor, uma vez que você ganhará mais e a única coisa que precisará fazer é supervisionar o trabalho dos seus funcionários. Agora, eu vou te contar uma novidade, essa é uma das maiores inverdades do setor.
Para operar uma unidade de franquia é essencial que o franqueado assuma toda a responsabilidade do negócio e se dedique muito para fazer sua gestão funcionar. Afinal, compras, controle de gastos, atração de cliente, resolução de problemas, tudo estará em suas mãos.
Alcançam o sucesso, franqueados que, ao invés de se perceberem como um funcionário da rede, se transformam em verdadeiros empreendedores, sempre comprometidos com a potencialização de seus resultados e o crescimento da sua marca.

O interesse

Se você se interessa pelo segmento de franquias, tenho certeza que já ouviu essas “verdades” várias vezes por aí. Mas, agora que já está familiarizado com elas, consegue perceber porque é tão comum encontrar pessoas insatisfeitas no setor?
Essa é a maior consequência da “pós-verdade” no franchising: a geração de frustração. Ao acreditar nesses boatos, muitos franqueados se arrependem por não ser o que esperavam e acabam saindo com uma mão na frente e outra atrás. Do outro lado, franqueadores podem ter seu ganho em escala prejudicado e até serem obrigados a rever a formatação da rede para se manterem sustentáveis. É prejuízo para os dois lados.
Sendo assim, em 2017, que tal substituir a “pós-verdade” pela honestidade? Sem dúvida, todos estamos precisando de mais cases de sucesso dessa palavra em nosso dia a dia.

José Carlos Fugice Jr
José Carlos Fugice Jr
Administrador de empresas especializado em franquias e varejo com MBA em administração de empresas pelo CEAG FGV/SP, com experiência em mais de 150 projetos de franquias. É sócio-fundador da GoAkira Consultoria Empresarial.

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